Querida melhor amiga...


Nunca irás ler esta carta. Nunca! Posso dobrar o papel e colocá-la num envelope bonitinho, com a tua morada escrita em letras redondas e até posso fazer uns floreados como tu gostavas. Mas mesmo que o faça, de que adiantará? A tua morada agora é outra, noutro sítio, uma morada que eu só vou conhecer quando partir também. Gostava de saber onde estás... Se estás melhor do que antes, se tens saudades do que foste e dos que estiveram sempre ao teu lado. (Eu sei que tens, como é óbvio. Mas fica sabendo que todos nós fazemos tudo como se estivesses cá e dizemos o teu nome montes de vezes :D)
Nunca estivemos distantes uma da outra. Mas agora, a distância é tão grande. É estranho, sabias? já não recebo uma mensagem tua a dizer "onde estás? vou aí a tua casa" ou então " então, anda cá dormir hoje. Preciso tanto de ti como tu de mim. Anda Mar."
Será que me estás a ver, estejas onde estiveres? Pergunto-me isso todos os dias, assim como me pergunto muitas outras coisas. A minha cabeça está a fervilhar de questões que nunca te poderei colocar. Ouves quando falo contigo? Vês quando passo muitas noites em branco a chorar com saudades tuas, de não poder ir a correr a tua casa falar contigo e contar-te a minha vida toda ou então de te ver correr para mim com os olhos cheios de lágrimas a dizer-me que te chateaste com ele? A tua mãe está tão abatida... O teu pai já não é o mesmo. O teu irmão diz que quer ir ter contigo ao céu e rouba o telemóvel a toda a gente dizendo "é para ligar à minha mana"... a tua irmã sente tanto a tua falta no quarto...
Estamos sempre a ouvir que devemos dizer o que sentimos. Nunca te disse assim concretamente o quanto gostava de ti. Sabes que nunca fui disso. Mas também ambas sabemos o valor do nosso sentimento caso contrário, não éramos as as melhores amigas nem nunca contaríamos tudo uma à outra, nunca passaríamos o tempo todo em casa uma da outra, juntas! Marcaste-me pelo teu amor à vida e pela tua alegria contagiante, apesar das dificuldades, mas ultimamente só sorrias, o teu sorriso era lindo e a tua felicidade deixava-me tããão feliz... Achei que sabia que devemos viver cada dia como se fosse o último, porque qualquer dia acertamos - afinal, já tinha passado por uma experiência que me fez entender isso. Mas esqueci-me dessa parte, esqueci-me de que devemos revelar o que nos vai no coração. E agora, sou muitas vezes assaltada por um sentimento de culpa que me ensombra. A partir de agora, será diferente, a partir de agora, irei fazer o que me ensinaste, ainda que da forma mais difícil.
Ontem fui à praia. Sabes porque te conto isto? Porque quando olhei o pôr-do-sol, senti que estava a fazer o que sempre fizeste: a viver, viver não como um zombie, mas como alguém que tem motivos para sorrir e, se me estiveres realmente a ver, saberás que os últimos meses têm sido cada vez mais difíceis. Eu tenho-te contado tudo, mas tu ouves-me?
E sei que já escrevi demais, principalmente sabendo que não lerás isto. Mas é tudo o que queria que soubesses. Que sinto a tua falta, apesar de tudo. Sinto a falta de saber que estavas lá. Dizem-me constantemente que não irias querer que eu ficasse assim. Mas a verdade é que já não consigo mais estar sem ti. Quando voltas? Sabes o que penso? Que foste viajar e que ainda voltarás e me irás pedir que te vá buscar ao aeroporto. :) Gosto tanto de ti... Espero que tenhas encontrado aí a minha avózinha e que vocês as duas me estejas sempre a apoiar. Eu continuarei aqui e a pensar sempre em ti, melhor amiga!

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